Há marcos que merecem ser celebrados, e 17 anos de participação ativa na Vistage é, sem dúvida, um deles.
Foi com esse espírito que nos sentamos para conversar com Luiz Augusto Franzese, CEO e membro do grupo 9002 desde 2009. Ao longo de mais de uma década e meia, Luiz construiu com o grupo e com seu Chair, Luiz Paulo Ferrão, uma relação de confiança, aprendizado e crescimento mútuo, o tipo de relação que só o tempo e o compromisso genuíno são capazes de forjar.
Nesta entrevista, ele compartilha como a Vistage entrou na sua vida, o que aprendeu ao longo de 121 reuniões, e por que, depois de tudo isso, ainda reserva aqueles dias na agenda com o mesmo entusiasmo de sempre.
Agradecemos imensamente ao Luiz por essa trajetória tão significativa e ao Ferrão pela dedicação com que conduz cada sessão. É uma honra tê-los nessa jornada.
Que venham muitos outros anos, e que essa história inspire outros líderes a dar o primeiro passo.
Boa leitura.
A Vistage me foi recomendada por um consultor financeiro, que tinha contato com o Luiz Paulo Ferrão (Chair da Vistage há 30 anos). Ele disse que seria bom eu conhecer a Vistage e o Ferrão, porque de certa maneira o fundador está sozinho na condução da sua empresa, e que eu tinha a síndrome do fundador. Levei a sério e marquei, na época, uma conversa com o Ferrão, lá em 2009.
Tive grande empatia com o Ferrão e a conversa foi ótima. Fui convidado a fazer parte do grupo 9002 e a participar da minha primeira reunião, sem saber muito o que esperar. Imaginei que ia entrar mudo e sair calado, mas já comecei a falar.
As pessoas que já estavam no grupo tinham anos de convivência, então eu estava entrando num grupo coeso, onde fui extremamente bem recebido por todos. O grupo, que já se conhecia há muitos anos, de repente recebe uma pessoa jovem na sua primeira reunião. Eu me senti muito bem e a reunião foi ótima. Os assuntos em pauta já tinham história, as pessoas discutiam o que havia acontecido na empresa do A, do B, do C. Eu estava entrando sem história nenhuma, mas rapidamente consegui entender o que estava acontecendo e comecei a escrever a minha história.
No dia a dia das empresas é muito raro o fundador ser questionado. Esse é o grande desafio: foi ele quem criou a empresa, e as pessoas têm receio de contrariá-lo, mesmo quando têm opinião contrária. Na Vistage isso não ocorre.
Na Vistage temos a liberdade de discordar, emitir opiniões contrárias, e a pessoa questionada, em vez de se sentir incomodada, se sente aberta, porque pode ouvir claramente o que não estava ouvindo ou percebendo.
Aliás, temos uma frase no nosso grupo: depois que acaba a sessão de críticas, onde os membros criticam as ações (nunca a pessoa) de um dos fundadores que pediu opiniões, alguém pergunta: “O que ele não ouviu?”. O grupo então responde com as contribuições que passaram despercebidas, como um resumo final. É muito importante.
Lembro de tantas histórias que não consigo dizer nem por onde começar. Acho mais fácil dizer assim: ao longo de todos esses anos, a quantidade de decisões que tomei influenciadas pelo grupo e pelo meu coordenador é, simplesmente, incontável.
As histórias mais marcantes, infelizmente, não posso compartilhar, pois envolvem mudanças no próprio negócio. Mas posso dizer que, cada vez que decidi diversificar, crescer ou fazer algo novo, o grupo sempre esteve comigo, inclusive para me questionar sobre o que eu estava fazendo.
Posso dizer de forma simples: os melhores conselhos são os mais duros. São aqueles que fazem você parar para pensar.
Temos também outro acordo: o grupo não cobra atitudes dos membros. Se alguém recebe uma sugestão, não há cobrança sobre isso. Mas, por curiosidade, sempre há uma atualização de tempos em tempos: “Fulano, você tinha esse desafio há três meses. Como ficou?”. A pessoa então compartilha o que pode.
Uma das coisas que aprendi no grupo foi com uma headhunter que participou do nosso grupo por um tempo. Ela nos ensinou algo muito interessante: a diferença entre contratar e dispensar.
Normalmente, as empresas brasileiras contratam rápido demais. Você entrevista, “bate o santo”, contrata e a pessoa começa no dia seguinte. Mas quando já está claro que um colaborador não tem mais condições de desempenhar bem, em vez de agir prontamente, o brasileiro tenta dar um jeito, vai mantendo a pessoa, tenta contornar, tenta ajustar.
Foi um dos aprendizados mais valiosos que tive: contrate devagar e demita rápido. Demore para contratar, tenha certeza de que é a pessoa certa para a vaga. Mas quando estiver claro que não é, dispense imediatamente. Hoje eu pratico isso.
O perfil das pessoas mudou bastante. Quando entrei, eu era um dos mais jovens. Hoje, recebemos os jovens com grande entusiasmo e apoio. Sempre tivemos empresários com mais experiência no grupo, mas também é muito bom ter alguém no início da carreira, com toda aquela vontade de fazer funcionar e ainda sem o peso da experiência acumulada.
Depois de 121 reuniões de grupo, diria que hoje é muito melhor do que antes, porque já “treinei” o grupo em lidar comigo ao longo de 17 anos. O mesmo vale para as sessões individuais com o Ferrão. Ele já conhece como eu penso e quem eu sou, e eu já sei como ele pensa e como ele é. Nossas duas horas juntos são sempre uma discussão muito boa.
Desenvolvi vínculos profissionais com os membros do grupo, sou fornecedor de vários e cliente de vários, e também vínculos pessoais. Sou até padrinho de casamento de um amigo do grupo.
Uma vez, nosso grupo foi entrevistado pela TV Cultura, que gravou uma matéria sobre a Vistage. O repórter nos apresentou como um “grupo de apoio psicológico para empresários”. A gente morreu de rir, tínhamos virado um grupo de terapia de empresário, e foi para a televisão.
Mas, sendo realista, não deixa de ser o que somos. Somos um grupo de apoio, só que à decisão. Não somos um grupo de apoio a lamentações. Ninguém vai ao nosso grupo para falar mal do governo; vamos para discutir como podemos melhorar nossas decisões.
Pelo mesmo motivo que entrei pela primeira vez, e que me mantém aqui há 17 anos: é muito bom estar num ambiente onde a discordância respeitosa é valorizada.
Marco na agenda as reuniões até dezembro. Aquele dia já está reservado, é um dia meu. São raras as vezes que desmarco.
São 12 dias por ano, cerca de 3% do seu tempo, dedicados a discutir sua estratégia e seu futuro. É muito pouco, e vale muito a pena.
Luiz Augusto Franzese