Na última reunião do Grupo 109 de Belo Horizonte, uma nova perspectiva se abriu sobre os desafios enfrentados pelas organizações do terceiro setor. Reunindo empresários e executivos(as) altamente experientes, a discussão girou em torno das complexidades que envolvem a gestão de uma ONG, destacando um tema muitas vezes negligenciado no ambiente corporativo: o equilíbrio entre propósito e sustentabilidade.
Em um mundo corporativo movido por métricas e resultados, refletir sobre o papel social das organizações pode parecer secundário. No entanto, cada vez mais, temas como impacto social, ESG e responsabilidade institucional ganham espaço nas mesas de decisão. Ao abrir esse espaço de discussão dentro da Vistage, criamos uma ponte entre os dois mundos — o das empresas com fins lucrativos e o das instituições voltadas ao bem comum.
A importância do encontro vai além da pauta. Trata-se de um exercício prático de empatia estratégica, onde líderes se colocam no lugar de outros líderes para compreender realidades distintas. E foi exatamente isso que aconteceu nesse dia especial do Grupo 109.
Xavier Vieira, presidente da APPA-Cultura e Patrimônio, nos proporcionou uma verdadeira aula sobre o funcionamento e as particularidades das ONGs. Com uma trajetória admirável, ele conduziu os membros do grupo a um mergulho profundo na realidade de liderar uma organização sem fins lucrativos, marcada por tensões entre o comprometimento com a missão e as exigências de viabilidade financeira.
Sua fala evidenciou que a paixão por uma causa, embora essencial, não é suficiente para garantir a perenidade de uma organização do terceiro setor. É preciso pensar em modelos de gestão eficientes, políticas de governança e alternativas criativas de captação de recursos. O impacto social só é sustentável quando existe uma estrutura sólida por trás dele.
Esse momento de escuta ativa promoveu uma verdadeira expansão de consciência no grupo. Ao perceber as similaridades entre os desafios de uma ONG e os de qualquer negócio privado, os membros puderam oferecer contribuições valiosas baseadas em sua própria vivência empresarial.
Felipe, responsável direto pela apresentação, trouxe uma visão clara, sem rodeios, sobre os bastidores dessa gestão. Ficou evidente que liderar uma ONG é como gerir qualquer outro negócio: é necessário planejamento, eficiência, capacidade de mobilização e, acima de tudo, resiliência. Mas com um ingrediente a mais: um senso de propósito que precisa estar sempre em primeiro plano.
Sua fala destacou a importância de profissionalizar a gestão de ONGs sem perder a alma da causa. O desafio é duplo: gerar impacto social e manter a organização financeiramente saudável. Para isso, é fundamental desenvolver competências gerenciais robustas, utilizar indicadores de performance e adotar uma cultura de inovação.
O depoimento de Felipe não apenas inspirou o grupo, mas também gerou identificação imediata entre os membros. Afinal, todos ali já lidaram — em maior ou menor grau — com decisões difíceis, gestão de crise e a busca pelo equilíbrio entre missão e operação.
Um dos maiores diferenciais da metodologia Vistage é a sabedoria coletiva. Cada membro compartilha sua vivência, oferecendo óticas distintas sobre um mesmo desafio. No caso da discussão sobre ONGs, isso ficou ainda mais evidente: gestores de empresas privadas trouxeram sugestões concretas para problemas recorrentes enfrentados por quem lidera instituições do terceiro setor.
A troca entre diferentes trajetórias gerou insights que transcendem o escopo da reunião. Foram levantadas ideias sobre modelos híbridos de operação, estratégias de parcerias com o setor privado, formas criativas de engajamento comunitário e até iniciativas de voluntariado corporativo.
Mais do que soluções imediatas, essas conversas proporcionaram um senso de pertencimento e propósito compartilhado. Os membros se conectaram por algo maior do que os números e indicadores — a vontade de gerar impacto positivo e duradouro na sociedade.
Durante a reunião, um ponto ganhou destaque: o mito de que lucro e propósito são antagônicos. Muitas vezes, ONGs são vistas com um olhar romântico, como se sobrevivessem apenas da paixão por uma causa. No entanto, como destacou Xavier, é preciso profissionalizar a gestão, diversificar fontes de receita e garantir que a causa se sustente no longo prazo.
A reflexão provocou uma mudança de mentalidade entre os presentes. Em vez de enxergar as ONGs como entidades frágeis, o grupo passou a vê-las como organizações que precisam das mesmas ferramentas que qualquer empresa moderna: planejamento estratégico, clareza de metas, gestão financeira e cultura de resultados.
Essa compreensão também se aplica ao setor privado. Empresas com fins lucrativos que incorporam um propósito claro e genuíno tendem a gerar conexões mais profundas com colaboradores, clientes e parceiros. Nesse sentido, propósito e lucro não são opostos — são complementares e potencializadores um do outro.
A Vistage acredita que nenhuma tecnologia substitui a força do encontro humano. Essa reunião presencial em Belo Horizonte foi um exemplo claro disso: a troca de olhares, os silêncios significativos, a escuta ativa. Tudo isso contribuiu para um ambiente seguro, profundo e transformador.
O espaço físico criou um campo de confiança onde vulnerabilidades puderam ser compartilhadas sem julgamento. Isso é raro no mundo corporativo, onde a performance muitas vezes esconde a dúvida, o medo e a insegurança.
Ao final do encontro, cada membro saiu não apenas com novas ideias, mas com um convite à introspecção: como minha empresa pode ser mais consciente? Como meu modelo de negócio pode ser mais ético e inclusivo? Como posso ajudar a sociedade para além dos meus resultados financeiros?
Um líder Vistage não é apenas um(a) tomador(a) de decisões eficientes. É um agente de transformação. A discussão sobre ONGs trouxe à tona o papel das lideranças como catalisadoras de mudanças sociais. Ao compreender os desafios do terceiro setor, os membros ampliaram sua visão de mundo e reafirmaram seu compromisso com um capitalismo mais consciente e humano.
Isso exige coragem, visão sistêmica e disposição para mudar a rota. Significa abrir espaço para novas perguntas, colocar o ego de lado e ouvir de verdade. E é nesse lugar que a metodologia Vistage se mostra tão potente: ela cria as condições ideais para que esse tipo de liderança floresça.
Quando líderes se dispõem a sair de suas zonas de conforto e a conhecer realidades diferentes, o impacto se multiplica. Não apenas dentro das suas empresas, mas também nas comunidades que as cercam.
A reunião do Grupo 109 foi mais que um encontro mensal. Foi uma experiência que nos desafiou a pensar fora da caixa, a questionar nossas próprias práticas empresariais e a enxergar o valor das ONGs com outros olhos.
Ali, aprendemos que o terceiro setor tem muito a ensinar ao mundo dos negócios. E que, muitas vezes, o caminho para um capitalismo mais sustentável e inclusivo passa por essa escuta profunda e pela integração de valores sociais à estratégia corporativa.
Se você é um(a) líder que busca evoluir não só nos resultados, mas também na forma como impacta o mundo, talvez esteja na hora de conhecer a Vistage. Porque aqui, o crescimento é coletivo. E o sucesso, compartilhado.
Chair da Vistage, Luis Garcia.
Fonte: https://www.linkedin.com/posts/luis-horacio-garcia-90410416_vistagebrasil-ceo-appa-activity-7340499423858188289-lDI0?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAAEbxGqUBQb2rVd6a5XS9oEzpLS4hBiARxAo