Como nasceu a sua empresa e quais foram aqueles primeiros momentos de apostas, os riscos e talvez até as incertezas…
Eu vou contar lá do princípio, como é que eu me tornei empresário. Na verdade, é uma vida que a gente vai construindo. Mas eu sou de formação analista de sistemas, e economista, porque, na época em que eu quis fazer informática, não existia a Faculdade de Tecnologia da Informação, mas existia um curso muito bom da PUC, aqui no Rio, que era de informática, mas para pessoas que estavam cursando o curso superior, da área de exatas.
Então, eu fiz economia, e fiz esse curso da PUC. Comecei a trabalhar, quando terminou esse curso, existia uma demanda muito grande na época, fui trabalhar numa empresa de consultoria que trabalhava com o mercado financeiro. Então, eu fazendo economia e TI era muito bom, eu adorava trabalhar na área de tecnologia para o mercado financeiro. E essa empresa de consultoria que eu trabalhava, eles tinham uma indústria também, que nessa época tinha reserva de mercado, e eles tinham uma indústria que produzia aquelas unidades de fita magnética. Quando filmava um CPD (Centro de Processamento de Dados), a única coisa que eles filmavam era aquela unidade de fita, que era a única coisa que mexia dentro de um CPD. E essa empresa montava também, unidade de fita magnética.
Passados uns anos lá, nessa consultoria, eles um dia me chamaram e falaram, olha, a gente construiu para a indústria um sistema de MRP, ERP para a área industrial e estamos precisando de alguém para atuar na área aqui da indústria. Eu gostava muito da área financeira, então recusei, falei, não, eu quero continuar na área financeira. mas o gerente insistiu muito que eu fosse para lá, o gerente que cuidava de mim lá, e eu acabei indo para essa área de indústria e comecei a gostar mais ainda do que a área financeira, porque na indústria você via ali as demandas, explodia um equipamento, via comprar peças, estoque, comecei a gostar desse mundo. Acabou, que eu acabei atuando um pouco na área comercial desse produto, por que eu me interessei muito por ele. E um dia os donos da empresa me chamaram para eu ir trabalhar direto na indústria, na área de informática lá da indústria. Então, eu comecei lá como analista de sistemas na área de TI da indústria. Acabou que lá tinha um sistema de cálculo de demanda, chamado MRP, que você olha, vendi 30 unidades dessa fita, 20 da outra, então tem que calcular quanto é que tem que comprar de peça para produzir.
Esse cálculo dessas peças, do que tinha que comprar, ver o que tinha em estoque, demorava dois dias rodando para ser analisado, aí tinha que mudar as demandas, rodava e ficava mais dois dias. E o dono da empresa, ele um dia chegou e falou, olha, a gente tem que construir um sistema que calcule isso mais rápido, a gente está perdendo muito tempo com esse sistema demorando dois dias, isso para a gente é muito. E aí ele lançou o desafio, eu topei de a gente construir um sistema mais rápido de cálculo dessa demanda. Ele era um cara que conhecia muito isso, um cara muito inteligente. Ele arrumou uma sala para eu trabalhar junto com ele. Todo dia ele passava na sala, me ensinava o que tinha que ser feito. Enfim, no final do projeto, o sistema passou a rodar em duas horas, e duas horas entregando um relatório fantástico do que tinha que ser comprado, qual era o fornecedor, o que tinha em estoque, qual era a quantidade mínima, o lote de compras.
Foi um produto bem bacana. Ele gostou tanto que acabou me promovendo a gerente de TI da indústria, e eu fui adorando esse trabalho. De repente, o governo Collor chegou e acabou com a reserva de mercado, ou seja, podia importar esses equipamentos e era muito mais barato importar. E aí essa indústria acabou. Ela foi acabando. Eu saí de lá e falei com a minha esposa, olha, eu não vou procurar emprego. Eu vou empreender, vou montar uma empresa, desenvolvimento de software, com essa experiência que eu tenho aqui de indústria, tentar focar na indústria. E assim eu comecei, com toda dificuldade até montar ali a empresa.
CH Master Data
Me juntei a um amigo que trabalhava numa outra indústria similar, que a reserva de mercado acabou, e que eu tinha ajudado a desenvolver também um sistema de MRP e um sistema de IRP um pouco mais abrangente. E ele falou, Tadeu, olha, a gente construiu um sistema lá mais moderno e eles permitiram a gente comercializar esse sistema. Você topa, a gente vai junto, montamos uma empresa e começamos a vender esse sistema. Era muito difícil vender. Então, para resumir, a gente tinha uma parceria com uma empresa chamada César Sucupira, de consultoria industrial, que um dia entrou em contato comigo e falou assim, olha, a Brahma tem um desafio, eles foram vendidos para o pessoal do Garantia, estão fazendo uma reforma administrativa geral, e eles têm um desafio que trouxeram para a gente, eu queria ver se você quer ir com a gente. Eles têm 43 fábricas no Brasil, 120 mil itens em estoque, Só que é uma loucura, é cheio de duplicidade, coisa errada.
Eles vão pegar uma peça, não é aquela peça para uma produção inteira. Então, procuraram no mundo inteiro um sistema para gerir cadastro e não acharam. Logo, perguntaram se a gente constrói para eles um sistema para gerir cadastro. Eu topei o desafio. Então, começamos juntos. Na época, era a Opticus, minha empresa, o pessoal da César Sucupira e o pessoal da Brama a desenvolver esse software para gerir cadastro.
Feito o software. Implantado o software, foi um sucesso. Eles saíram de 120 mil itens para 43 mil itens.
Eles tinham mais de 100 compradores para comprar esses itens, estoques super elevados. Depois que a gente fez esse trabalho, caiu para menos de 50 compradores, porque o que eles mandavam para o mercado eles compravam certo. não tinham duplicidade, conseguiram reduzir o número de estoque assustadoramente. Então, foi um sucesso tão grande que até hoje a Ambev é a nossa cliente. Vendo esse produto, eu falei, “ah, eu não vou vender MRP, RP não, eu vou vender esse produto aqui, isso aqui é fantástico.” Nessa época, a minha sociedade se desfez, o meu sócio foi viver de música, ele e a esposa dele eram musicistas, e eu fiquei sozinho, mas eu falei, eu vou continuar com esse produto. Tive muita dificuldade, porque vender o software era fácil. O problema era implantar, criar os padrões de descrição, ir lá no físico, levantar a informação de peça a peça, recadastrar todos os itens.
Isso é que dava trabalho. Quando vi que esse era o problema, falei que tinha que dar a solução completa para o cliente. Um dia, uma multinacional canadense, o diretor sempre falava comigo, eu vou contratar, eu preciso contratar. Um dia ele me chamou, olha, vem aqui que agora a gente vai contratar esse serviço. Só que eu quero o seguinte, que você faça primeiro um diagnóstico para a gente fazer um planejamento, ver quanto vai custar isso, quanto tempo isso vai ser feito, porque eles tinham várias fábricas. Então, ele me contratou para eu fazer o diagnóstico. Lá estava a Accenture nessa época também fazendo várias mudanças na área de suprimentos lá deles, estoques. Então juntos eu mapeei tudo, levantamos, entregamos e ele me contratou.
Nascimento da CH Master Data
Só que aí tem um caso que é interessante, eu pedi a nota, eu já não tinha mais empresa, eu tinha um produto, mas não tinha empresa enquanto eu não vendesse um produto desse.
Então eu corri para um amigo, que tinha uma empresa de consultoria chamada Carvalho Horta Sistemas de Consultoria. Esse amigo emitia a nota para Alcoa. Como eu não sou nem Carvalho nem Horta, eu botava lá CH Consultoria. Então, em dois meses, eu era o tadeu da CH Consultoria. Fiz a proposta, eles aprovaram, aí eu tive que correr e abrir uma empresa que começasse com CH. Aí eu criei a Consultores Hábiles para fazer esse projeto. O projeto foi um sucesso.
A Accenture, vendo o trabalho que a gente fazia, já começou a indicar a gente para outras empresas. Para a Multibras, que era a Brastemp Consul, que hoje é a Whirlpool, para a Sadia, que hoje é a BRF. Então, dali, a gente já, fazendo esse projeto, começou a desenvolver para outros clientes esse produto. E aí eu vivia nessa época, como todas essas fábricas são espalhadas pelo Brasil, eu vivia viajando, contratando pessoas na localidade das fábricas, treinando para que elas fossem lá no estoque, no físico, levantando peça a peça, levantando as informações, os padrões. O que é um padrão? A gente chama padrão de exclusão de materiais. Você vai cadastrar uma lâmpada, aí você tem que saber qual o tipo de lâmpada. Para determinado tipo de lâmpada, você tem lá os atributos.
Uma lâmpada incandescente tem que ter potência, tensão, base, acabamento, dimensão. A gente tinha que construir esses padrões. Tinha um time construindo padrão e um time levantando informação no físico e cadastrando no sistema. Tinha um time de TI para integrar isso com o sistema do cliente. Eu vivia viajando, contratando, treinando e demitindo, porque desmobilizava um projeto, terminava, tinha que demitir, ficava às vezes com o melhor ali para ele ir tocando o projeto. E eu vi o seguinte, de um cliente para outro, os técnicos que eu contratava iam nos mesmos catálogos levantar as mesmas informações novamente, recadastrar os mesmos itens. uma lâmpada que tinha num cliente tinha no outro, um rolamento tinha no outro, e eu falava, caramba, bastava dizer qual era o fabricante, o part number, eu já tinha toda a informação, já tinha que pegar aquilo, não tinha que levantar mais os atributos. E aí, te lembrando o seguinte, isso foi na década de 90.
Banco de dados formado na década de 90.
Na década de 90 foi que surgiu a internet, começou a surgir comercialmente a internet, mais para o final da década de 90. Então, com esse surgimento da internet, eu comecei a desenhar um produto onde eu cadastraria o item, colocaria as informações lá. Se um outro cliente precisasse, eu já teria aqui a informação, associaria essa informação para o novo cliente. Então eu comecei no início de 1998 a produzir esse sistema, em 2001 ele ficou pronto, que é o sistema que a gente tem até hoje, comunidade de informação técnica. É como se fosse uma Wikipedia, mas com uma informação certificada. A gente vai colocar a informação ali. Todo cliente que precisa daquela informação, usa a informação e se ele tem uma informação a mais para acrescentar ele acrescenta. Todos os outros recebem atualização.
Então hoje a gente tem um grande banco de dados de peças que a informação é compartilhada por centenas ou dezenas de empresas. Você tem informação ali que estava sendo usada por todos os clientes, outras por menos. Então, é um cadastro vivo. É como se nossos clientes usassem um único cadastro de materiais e trocassem informação técnica ali dentro. E isso foi um sucesso. Eu não conheço no mundo quem faça isso, Você vê, nós somos pioneiros mundiais em tecnologia para gestão de cadastro. Hoje o mundo inteiro reconhece que isso é importante. Hoje nós temos concorrentes no mundo inteiro.
Hoje é conhecido como Master Data Management ou Master Data Governance. Nós temos empresa de Master Data nos Estados Unidos, na Itália, na Espanha, na França, na Índia, na China, você tem empresa de Master Data. Só que o Master Data, ele foi ficando mais complexo. Então, os nossos clientes começaram fazendo peça, depois pediram, ah, eu preciso também padronizar e fazer a governança dos dados de serviço. eu preciso de gerir fornecedores, eu preciso gerir clientes, para materiais eu preciso de ter imposto, então eu preciso da classificação fiscal. Então nós fomos ampliando o nosso leque de serviços, hoje a gente faz todos esses Master Data, os dados mestres, eles são o dado básico, então é igual você tem um fornecedor, você tem lá o CNPJ, a razão social, como é que a empresa socialmente está, se ela é uma SA, se ela é uma limitada, se ela está no simples, então isso é dado mestre. E você tem dados transacionais.
Então, por exemplo, em materiais, eu tenho o dado mestre, mas eu tenho o dado transacional, ou seja, a quantidade que a empresa compra, de que fornecedor que ela compra, qual localidade, qual planta que usa aquele material. Então, esses são dados transacionais. E a gente trabalha com dados mestres. Então, hoje nós temos as maiores empresas do Brasil, temos projetos fora do Brasil, porque os nossos clientes multinacionais que nos contrataram aqui levaram a gente para fora. Nós estamos hoje com mais de 300 clientes, e essa comunidade trouxe uma informação para a gente muito interessante. Eu comecei a olhar para esse banco de dados e vi assim, poxa, eu sei o que é comum a todas as empresas. Por exemplo, você tem uma determinada peça que pode ser produzida por vários fabricantes. Eu sei que fabricantes fabricam aquela peça.
Amplitude dos produtos da CH Master Data
Eu sei qual fabricante está homologado em que empresa. Então, eu tenho que dar mais valor a essa informação para o meu cliente. O que eu posso agregar aqui de valor para o meu cliente? Então nós começamos a criar alguns outros produtos. Por exemplo, a indústria compra peças para um equipamento. Se esse equipamento é descontinuado, porque ela trouxe um equipamento mais moderno, aquela peça fica em estoque. A peça está ali, ela não perde validade, ela está lá acondicionada corretamente. E o que o cliente faz com aquela peça?
Ele não tem o que fazer. A única coisa que ele faz é jogar em um leilão, jogar para uma sucata. Mas isso para a área financeira é péssimo, porque estoque é uma conta que tem valor e o diretor financeiro para jogar aquilo fora ele tem que explicar para o acionista porque ele deu prejuízo naquela conta. Então ele prefere deixar aquilo lá parado. Então nós criamos um produto que permite a permuta de peças entre os nossos clientes. Então o nosso cliente, um cliente A mandar o que ele não usa. A gente vê na comunidade nossa empresa quem mais usa aqueles itens. Olha, consegui aqui um match de 70% para a empresa B.
Aí eu vou lá na empresa B e falo, vem cá, você não quer permutar com a empresa A? Me diz aí o que você não usa, que eu vou ver o que a empresa A tem. E aí a gente cria pacotes e permuta custo médio de estoque. Ninguém perde, todo mundo ganha. porque ele traz um item que ele vai usar, que ele está adquirindo aquele item mais barato do que se ele fosse no mercado e está se desfazendo de um item que ele não usa. Também é um produto que a gente tem, chamado surplus. Uma outra dificuldade que a indústria tem é desenvolver fornecedores, porque o desenvolvimento do fornecedor é trabalhoso. A indústria está todo dia criando peça nova, comprando peça nova.
Então, a indústria está todo dia comprando peça nova e um comprador, para comprar aquilo, ele não sabe quem fornece. Então, ele vai lá no Google e coloca, preciso comprar uma válvula, aí aparece 300 fornecedores. Pô, desses 300, qual é o melhor? Qual me serve? Então, é uma atividade chamada shearching de fornecedores. Então o que a gente fez? A gente pediu aos clientes o seguinte, me manda quais foram os últimos fornecedores de cada peça de vocês, eu vou acumular isso no código CH, porque todo o item nosso recebe um código CH que está ligado aos códigos dos clientes.
Então se eu tenho uma determinada peça que tem 10 clientes, eles vão me mandar provavelmente 10 fornecedores, ou pode ser que tenha um fornecedor em comum, eu coloco lá no código CH, eles podem consultar essa peça aqui, eu tenho esses fornecedores. Então se chama VendorList, a gente criou um produto chamado VendorList que ajuda os clientes a encontrarem fornecedores já homologados por outras empresas, qualificados, para eles trocarem essa informação. Aí criamos um outro produto chamado Blockchain, O blockchain, como a indústria compra muita peça, eles chamam de long tail, esses itens são MRO, itens para manutenção, reparo e operação, é um volume enorme. não é nem tão grande em termos de valor em relação à matéria-prima que as empresas compram para produzir os produtos dela. Mas são coisas de muitos milhões que a indústria compra de peças. Mas essas peças têm que ser compradas corretamente para não parar uma linha de produção. Eu já conheço vários casos de empresa que manda vir peça de jatinho, porque para uma linha de produção são milhões de dólares de prejuízo. Então essas indústrias, como elas têm que ter muito comprador, porque tem que fazer três cotações por questões de compliance, isso dá um trabalho muito grande, elas fazem contratos de compra.
Por exemplo, pegar aqui uma empresa grande como a Unilever, Ela compra rolamento por ano milhões de reais ou dólares em rolamento e rolamento entra em tudo quanto é equipamento. Então o que ela faz? Ela vê o consumo dela de rolamento no ano, chama os principais fornecedores do mercado e fala eu quero cotação para esses rolamentos aqui o meu consumo médio é esse aí negociá lo determina um ganhador. Aí ela não precisa mais cotar durante o ano aquele rolamento, ela só coloca o pedido. Tem um rolamento aqui, coloca o pedido lá, o fornecedor entrega. Então a indústria costuma fazer contratos de compras para algumas famílias de materiais. Então nós começamos a fazer esse tipo de trabalho para os nossos clientes, só que com uma forma muito mais produtiva. Chegava o seguinte, nós vamos para o mercado, vamos para o mercado para fazer uma cotação de enrolamento.
Quem quer fazer isso em conjunto? Aí 10 clientes falam, eu quero. Então os 10 clientes que vieram, eles mandam para a gente a demanda deles por ano, o preço que eles compraram, a gente consolida no código CH, então uma demanda que já era grande fica monstra de 10 empresas, o volume grande, a gente analisa o preço que cada um comprou, vê qual o menor preço e manda uma cotação monstra para o mercado. Como o volume é muito grande, a gente coloca negociadores lá que conseguem reduzir esse preço e os nossos clientes se beneficiam com savings muito grandes nesses contratos. Então a gente criou uma empresa para isso chamada Blockchain Procurement para fazer negociação de contratos para os nossos clientes. Então você está vendo que em volta desse tema cadastro a gente foi criando outros produtos. E agora, Tem um produto que eu já venho há uns sete anos pensando nele, e agora surgiu uma grande oportunidade, que é criar um marketplace para a venda de peças. Não existe no mundo um marketplace para vender peça para a indústria, porque a indústria é complexa.
Tem indústria que paga em 30 dias, outra paga em 60, outra paga em 90, outra paga em 120 dias. tem a indústria só compra de fornecedor homologado e um comprador ele não entra lá no no mercado livre para procurar um parafuso ele não sabe se o parafuso que está descrito lá de um jeito ou parafuso que ele tem a descrição aqui do outro jeito parafuso tem norma parafuso da função de glória então ele não tem expertise para isso ele não vai comprar uma válvula ele não vai encontrar Então, não existe. Você tem aí a Amazon Business, tinha lá a Americanas Empresas. O que eles vendem? Computador, material de escritório, coisas comuns para a indústria, mas peça não vende. Nós demos a solução. Nós estamos nos associando a um grande marketplace. Eu ainda não posso divulgar o nome, mas é uma empresa grande.
Onde nós vamos colocar lá os nossos 5 milhões, 5 milhões de itens não, porque a gente chama de itens comerciais a metade, 2 milhões e meio de itens que são comuns nos nossos clientes. O fornecedor vai colocar preço nesses itens, os fornecedores e o nosso cliente vão cotar com o código deles esse item automaticamente. Então, por exemplo, a Raize, ela quer fazer uma cotação de uma válvula. Ela vai colocar nesse marketplace o código da Raize, ele vai identificar pelo código CH qual é o preço, quais são os fornecedores dos preços e vai receber aquela cotação automática. Entendeu? Então, nós estamos agora construindo esse marketplace, que também não existe no mundo porque com o que a gente chama de Golden Code CH, que é o código comum, é como se fosse um CPF da peça que é conectado aos itens do nosso cliente, a gente consegue conectar o nosso cliente comprando e o mercado fornecedor. Então é essa aí a história da trajetória da CH, contada aí resumidamente
E nós fizemos até uma fusão com um concorrente nosso, uma incorporação desse concorrente há um ano e meio, justamente para trazer mais rápido os clientes que esse concorrente tinha para essa comunidade E também foi muito bom que isso melhorou muito o nosso time administrativo operacional. A gente juntou duas empresas que tinham os mesmos objetivos, só que eles trabalhavam separadamente, um sistema para cada cliente. Nós criamos um produto, Catalogue Hub, que é justamente para dar informação ao fabricante. porque o fabricante, na nossa base, ele está em vários clientes. A gente está vendendo uma informação que o mercado de peças não tinha. Então, o fabricante pode entrar na nossa base e ver o seguinte, deixa eu ver como é que eu estou posicionado nessas 300 empresas, como a gente representa, tem uma representatividade muito boa em relação ao mercado nacional, porque 100 dos nossos clientes estão entre as mil maiores empresas do Brasil. Então o fabricante ele vê lá por setor, eu não posso lhe dizer em que cliente ele está, mas por setor da economia eu posso dizer, olha, o setor de papéis celulosos está nessa posição, seus produtos têm esses concorrentes, então a gente também está fornecendo informação para o mercado produtor, vamos chamar fabricante de peça.
Vivendo em um mundo com tantas mudanças tecnológicas, qual você considera ter sido uma virada tecnológica para sua empresa?
Eu passei por várias viradas tecnológicas. Como eu falei, aquele primeiro sistema que a gente desenvolveu para a Brahma era um sistema em turbo Pascal usando o DOS. Quando eu montei a CH, a consultoria, eu já estava migrando o sistema para o Windows. Depois, quando veio a internet em um curto espaço de tempo, eu já fui para a ASP, que era uma ferramenta web. E isso traz muita dor. Até hoje, a gente tem aquele Windows lá atrás, que era feito em Power Builder. É igual banco. Os bancos até hoje têm Cobol.
Porque tem uma inteligência por trás que é difícil de você migrar, mas nós estamos reconstruindo o avião em voo. Com a ajuda da inteligência artificial, a gente acha que vai ser mais rápido ainda a gente mudar a tecnologia em voo. Isso é um desafio bem grande para a gente. Estamos vivendo um outro desafio tecnológico muito grande, Não é nem a IA, a gente está já usando IA nos nossos processos. Mas eu como empresário estou aprendendo muito. Saí de uma empresa há pouco tempo com cento e poucos funcionários, agora estamos com trezentos e poucos. O perfil do nosso funcionário cada vez mais é de tecnologia e cada vez menos técnico, que a gente tem hoje mão de obra.
O nosso trabalho precisa de uma mão de obra de técnico, técnico em mecânica, em elétrica, vários tipos de técnico em química. A gente contrata pessoal técnico, com formação técnica, para fazer esse trabalho com o cliente. Só que uma parte desse trabalho a gente está usando muita tecnologia, IA, para ajudar a gente na busca de informação, mas tem uma coisa que acho que até protege o nosso trabalho, a IA não resolve tudo, a IA traz alucinações e muitas das informações que a gente precisa Está no físico, está no fabricante. O fabricante de peça esconde muita informação por questões de concorrência. Então, muita informação que a gente vai buscar, a gente tem que ligar para o fabricante. Muitas vezes o nosso cliente tem que ligar para o fabricante para pedir para que ele dê informação, que às vezes o fabricante não quer dar. Nós medimos há uns anos atrás, nós gastamos 61 mil minutos em um ano de ligação telefônica para o fabricante para buscar informação. E essa ligação telefônica sempre termina num e-mail que vai pedir o que precisa, troca de e-mail, ou seja, é demorado.
Então, tudo que a gente pode hoje colocar, a gente está desenvolvendo para usar IA, a gente já usa machine learning já há um tempo. Então, é um aprendizado que eu estou… Eu comecei a empreender quando eu tinha 29 anos, hoje eu tenho 64. Já não sou mais um jovem empreendedor. E estou aprendendo cada vez mais a gerir uma empresa maior, que eu também não sabia. Eu, volta e meia, me deparo com desafios bem grandes desse crescimento, a dor do crescimento num país que tem uma complexidade enorme, um país que tem, hoje eu poderia dizer que a gente está em pleno emprego para mão de obra qualificada, você conseguir desenvolvedor hoje é uma coisa dificílima, está tudo contratado, você tem que pagar o que o mercado, mais que o mercado existe, se você quiser ficar como desenvolvedor. Nós estamos, não vou dizer nem que é um desafio, estamos trabalhando a empresa praticamente 100% remota. A gente também aprendeu, foi um desafio grande.
A gente vê muitas empresas que estão trabalhando com o modelo híbrido. Nós não estamos híbrido. Eu acho até que o híbrido tem vantagem, mas da forma que a gente ficou depois da pandemia, hoje a gente tem gente trabalhando fora do Brasil para a gente, gente no Brasil inteiro trabalhando. Então, a alta gestão se encontra de vez em quando presencialmente. Uma parte da alta gestão se encontra mais regularmente. Eu estou no Rio, mas a sede da empresa hoje é em São Paulo. Então, a gente teve que implantar uma governança mais rigorosa, porque os profissionais têm que ser monitorados, a gente é cobrado por produtividade pelos nossos clientes. Então, tem muitos desafios aí que eu vim aprendendo ao longo dos anos para fazer uma gestão melhor e sofrer menos.
Hoje, por exemplo, a gente está com um sofrimento muito grande porque essa fusão que a gente fez soou bem no mercado, a gente tem uma boa reputação no mercado. Hoje a gente está com 54 projetos no pipeline de integração. Quando a gente fala em integração, é conectar a nossa tecnologia, os nossos sistemas com os sistemas dos clientes. Eu preciso de desenvolvedores, pessoal de tecnologia, e como eu te falei que está difícil, então a gente teve que contratar muita gente, tem que treinar, E o cliente do outro lado, lá com a pressão muito grande, que também tem os projetos dele, ele não quer saber se eu vou contratar alguém. Ele quer um prazo, quando é que você me entrega. Então, isso está fazendo hoje a gente sofrer.
Sobre o seu Chair…
Quando eu te falei que um parceiro convidou a gente para desenvolver aquele sistema lá para a Brahma, era uma empresa chamada César Sucupira. E o líder desse projeto era um cara chamado Salgueiro, Luiz Salgueiro, lá que conheci o Salgueiro. Ele foi o líder do desenvolvimento desse projeto lá na Brahma. Então, uma pessoa que admiro muito, o Salgueiro, e ele entrou em contato comigo há um tempo atrás. Falou que tinha um negócio muito bacana, que estava participando, que ia ser legal para mim. Vindo dele, com toda a credibilidade, eu fui participar do grupo do Salgueiro, que é um cara que eu gosto muito, admiro.
E só tenho a falar bem. Confesso que, no princípio, achava que fosse entrar em um grupo onde fosse ver pessoas com os mesmos problemas que eu para se ajudar com os mesmos problemas. Vi um grupo muito heterogêneo, com situações e empresas muito diferentes. Aquela situação das ONGs também, achei uma ONG aqui Mas vou te falar que pensei no princípio de sair. Falei que gostava do Salgueiro, eram pessoas ótimas, mas não era bem isso que estava procurando. Mas, com o tempo, fui me surpreendendo com o que um trazia, outro trazia uma parte gerencial, administrativa, que eu estava buscando, eu achei ali mais uma parte social que a empresa precisa. Alguns desafios interessantes e o grupo, que a gente começou a se identificar bem ali com o grupo, então eu passei a dar um valor maior.
E o próprio Salgueiro mesmo, as conversas que tenho com ele mensais, ele sempre agrega, sempre traz informações que para mim são muito úteis. Então o ganho é muito grande.
Qual história vivida dentro do seu grupo que mais te marcou?
Tem histórias que marcam, por exemplo, a questão das ONGs. Nós fomos numa ONG que ajuda mulheres negras. Aquilo foi uma coisa que mexeu muito comigo, mexeu até com o grupo que participou, mexeu, de uma forma… Me colocou com uma realidade que eu não tinha. Não que eu não soubesse que existe racismo, não, mas é enxergar como é que o outro lado vê.
Eu tenho uma filha negra, eu tenho um neto negro, que é uma filha de criação, muito amada, meu neto muito amado. Eu falei lá para essa ONG, eu senti muito que eles têm um… Não é um rancor, a palavra certa, mas eles se protegem muito. Eu falei assim para eles, vem cá, por que não pode entrar pessoas brancas? Por que vocês não agregam pessoas brancas?
Não, aqui é para ajudar o negro a se defender, mas eu achei uma defesa muito amarga, e isso mexeu muito comigo. Porque eu falei isso, na minha casa eu convivo com muitos negros, eu dei sociedade para um funcionário que é negro, ele é diretor e sócio, é um negro, e eu nunca falei com ele de cor.
Na minha casa, a gente não fala de cor. Quando a gente fala de cor, é porque tem racismo. Mas eu entendo que no mundo tem racismo, sim. Então, as pessoas têm experiências que eu não tive. Então, foi bem interessante essa experiência. Foi uma experiência que, para mim, foi marcante. E tem experiências profissionais, dificuldades de um lado, de outro.
Então isso é muito bacana, ver essas pessoas que se dispõem a uma boa parte ou a vida dela, profissional, a fazer o bem. E eu também procuro fazer o bem. Eu participo de uma escola logosófica onde a gente aprende a ser melhor e ajudar os outros a serem melhores. É uma outra caridade, uma caridade que exige um esforço muito grande. Eu também participo, desde 1991, dessa instituição. Então, para mim está sendo um prazer estar aqui na Vistage.
Que conselho você daria hoje para líderes que estão tentando construir algo duradouro em um mundo que muda tão rápido?
O conselho que eu procuro dizer é o seguinte, o ser humano tem que entender que ele tem que se aperfeiçoar.
Nós temos que nos conhecer para nos aperfeiçoar. Eu sou um ser cheio de defeitos, mas se eu acordar todo dia achando que eu sou bom, que diante dos meus funcionários eu sou o presidente da empresa, que lá eu sou o melhor, que eu tenho pouco a melhorar, eu não vou contribuir nada para ninguém, nem para mim.
Então, todo dia eu acordo pensando o seguinte, o que de ontem eu fiz que eu tenho que ser melhor hoje? Eu me olho muito, porque eu vou morrer e minha empresa vai ficar. mas eu tenho uma visão espiritualista que a gente não morre, a gente morre nessa vida e nasce em outra e a gente leva esse acervo. Mas eu não vou levar a minha empresa, não vou levar o dinheiro que ganhei, não vou levar o carro que comprei, vou levar o que aprendi. Então acho que se as pessoas não olharem, por exemplo, lógico que olho a lucratividade da empresa, a empresa não pode dar prejuízo, mas não é a primeira coisa que vejo, diante de um problema.
Um cliente tem um problema e eu não estou sabendo resolver. Está me dando prejuízo? Não, mas eu me comprometi, eu tenho que fazer. Então, primeiro, eu olho muito o lado do cliente, olho muito o lado do meu funcionário. Eu sei que meu funcionário não tem o mesmo objetivo que eu, não tem a mesma visão que eu, então eu tenho que entender também isso daí. Não posso exigir dele que tenha a visão de dono que eu tenho. Então, essas trocas de experiências são fantásticas e é isso. Eu acho que eu tenho que evoluir sempre e procurar servir sempre. É isso.
Mas servir inteligentemente. Servir é ajudar a levar um conhecimento, ajudar numa solução de um problema. Então, é dessa forma.