Pense no melhor time do qual você já fez parte. Talvez tenha sido um time esportivo, um projeto de trabalho ou até um grupo de voluntariado. Provavelmente, não foi apenas por conta de pessoas inteligentes, habilidosas ou organizadas.
O que realmente fez a diferença foi isto: havia a sensação de que o que acontecia com um, acontecia com todos. Em outras palavras, havia um destino compartilhado.
Ter um destino compartilhado real e significativo em um time é o que separa os times que se unem e performam sob pressão e adversidade daqueles que se fragmentam e fracassam. É também o ingrediente que mais falta nos times dentro das organizações.
Hoje, a maioria das organizações é estruturada de forma altamente hierárquica e compartimentalizada. Aprendemos a montar organizações assim no início dos anos 1900, quando as empresas começaram a crescer e era necessário encontrar formas de organizá-las. Esse modelo é, na verdade, baseado no militarismo: os generais (CEOs) ficam no topo, pensando; os oficiais (gestores intermediários) ficam no meio, dando ordens; e os soldados (colaboradores da linha de frente) estão na base, fazendo o que lhes é mandado.
Nesse modelo, a responsabilidade flui de baixo para cima. Os funcionários gastam mais energia se preocupando com o que o chefe pensa do que com o que o cliente precisa. As pessoas passam a se proteger individualmente em vez de proteger umas às outras. Os membros evitam discutir os problemas reais, e os líderes acabam exaustos, pois carregam toda a responsabilidade nos próprios ombros.
Não é que as pessoas não se importem. É que o sistema não as incentiva a se importar. Quando a hierarquia define sucesso como agradar o superior, proteger o time — ou o cliente — se torna secundário.
Em times de alta performance, o sucesso e o fracasso são coletivos. Esse é o poder do destino compartilhado em ação.
No esporte, quando alguém se atrasa para o treino, o time inteiro corre. Quando alguém falha na defesa, a equipe assume o erro — não só o indivíduo.
No exército, os exercícios do treinamento básico passam uma mensagem clara: não importa quando você termina, importa quando todos terminam.
Nos negócios, destino compartilhado pode significar um time de vendas comemorando junto ao bater a meta trimestral, ou uma equipe de operações se mobilizando até tarde da noite para garantir o lançamento de um produto.
Destino compartilhado não aparece por acaso. Líderes precisam construí-lo intencionalmente. Isso pode significar:
Tornar difícil entrar no time, para que a participação tenha peso e gere responsabilidade.
Fazer com que a equipe seja responsável por atingir metas coletivamente, não só individualmente.
Estruturar recompensas com base nos resultados do grupo, não apenas dos indivíduos.
Criar situações de pressão (prazos, grandes metas, compromissos visíveis) que forcem a união em vez da divisão.
Quando o destino compartilhado é real, as pessoas param de se esconder. Começam a enfrentar os problemas reais em vez de ignorá-los, fofocar sobre eles ou repassá-los ao chefe. Essa é a diferença entre um time apenas “funcional” e um time verdadeiramente responsável.
Eis a questão: construir um time responsável exige que os líderes abram mão de parte do controle. E isso pode ser assustador. Quando o time começa a se responsabilizar por si mesmo, o chefe deixa de ser o herói — e muitas vezes sente que não é mais necessário.
Para os membros do time, também não é fácil. Fazer parte de um time responsável significa que eles não podem mais correr para o chefe como crianças correndo para os pais. Precisam resolver os problemas entre si, como adultos. Isso exige ter conversas difíceis que vinham sendo evitadas, assumir erros, e cobrar os colegas a um padrão mais alto.
Esse desconforto é justamente onde nasce a responsabilidade. Sem ele, as pessoas permanecem em suas zonas de conforto — e nenhum time campeão foi construído com base no conforto.
Uma vez que um time estabelece um verdadeiro destino compartilhado, tudo muda.
A confiança cresce. Os membros sabem que podem contar uns com os outros porque já passaram por desafios juntos.
A responsabilidade se distribui. O peso deixa de estar apenas nos ombros do líder e passa a estar em todo o time.
O foco se expande. Em vez de olhar para cima na hierarquia em busca de aprovação, as pessoas passam a olhar para os colegas e se concentrar em entregar valor ao cliente.
O destino compartilhado transforma um grupo de indivíduos talentosos em um time de verdade. É o que separa os grupos que apenas funcionam daqueles que dominam.
Aqui vai o desafio: o que você está fazendo hoje para construir destino compartilhado no seu time? Você está disposto a criar condições onde o sucesso seja realmente coletivo e o fracasso seja sentido em conjunto?
Porque, no fim das contas, destino compartilhado não é só uma estratégia de liderança. É uma mudança de mentalidade. É a diferença entre carregar o time nas costas e caminhar ao lado dele, ombro a ombro, em direção a um objetivo que todos compartilham.