No segundo trimestre de 2022, um fenômeno no ambiente de trabalho conhecido como “A Grande Renúncia” (ou, como chamamos na Vistage, “A Grande Atualização”) atingiu seu auge, com as taxas de demissão voluntária disparando para impressionantes 4,5 milhões de trabalhadores.
Um mercado de trabalho aquecido no pós-pandemia, aliado a uma transparência sem precedentes nas oportunidades e salários em alta, gerou uma onda de desligamentos, à medida que os profissionais buscavam (e encontravam) melhores empregos, salários mais altos, condições de trabalho superiores e arranjos mais flexíveis.
A “Grande Atualização” deixou muitas empresas lutando para reter talentos e preencher vagas de forma eficiente.
Desde então, o mercado de trabalho — embora resiliente e ainda demonstrando força — se estabilizou, com as taxas de demissão retornando a níveis semelhantes aos de meados de 2017. Isso indica uma normalização nas contratações, com oferta e demanda de trabalho começando a se equilibrar.
Uma pesquisa recente da Vistage com CEOs reflete esse sentimento: 38% afirmam que contratar ficou mais fácil desde o início do ano, contra apenas 10% que dizem estar mais difícil. Da mesma forma, 22% relatam maior retenção de funcionários em 2024, enquanto apenas 8% notam uma queda. Para a maioria, as condições de contratação melhoraram drasticamente em relação à agitação vista em 2021–2022.
Essas melhorias podem ser atribuídas a vários fatores, mas, em geral, a diferença entre o número de candidatos e o número de vagas se reduziu significativamente.
Os empregadores estão enfrentando menos concorrência por talentos, enquanto os funcionários acham mais difícil e demorado encontrar novos cargos e melhores ofertas — um contraste marcante com alguns anos atrás, quando um salário mais alto estava a um clique de distância.
Ainda assim, com um ciclo de crescimento previsto para 2025, os líderes precisam refletir profundamente sobre as lições aprendidas nos últimos anos.
A seguir, listo quatro maneiras pelas quais algumas empresas estão se destacando na retenção e atração de talentos, diferenciais que serão cruciais quando o mercado de trabalho inevitavelmente voltar a aquecer:
1. Melhoria na contratação
Organizações que dedicaram tempo e energia para fortalecer suas capacidades de contratação estarão melhor preparadas para o próximo ciclo de demissões.
Ao aprimorar as competências internas de RH, manter um fluxo constante de talentos potenciais e integrar tecnologias avançadas — como inteligência artificial — aos processos de recrutamento, as empresas conseguem acelerar contratações e melhorar a qualidade dos novos colaboradores.
2. Foco maior na retenção
A “Grande Atualização” destacou a enorme importância da retenção.
Nenhuma empresa pode vencer o que chamamos de “guerras por talentos” se continuar perdendo seus melhores funcionários.
Por isso, as organizações estão cada vez mais focadas em entender o que mantém os colaboradores engajados e satisfeitos, seja oferecendo salários competitivos, flexibilidade no trabalho, bem-estar ou reconhecimento.
3. Conexão com a cultura organizacional
A cultura do local de trabalho tornou-se um dos pilares do ambiente corporativo moderno.
Hoje, espera-se que as empresas ofereçam um ambiente que se alinhe aos objetivos pessoais e profissionais de seus funcionários.
Colaboradores que se sentem conectados à cultura da empresa têm quatro vezes mais chances de estarem engajados, 62% menos probabilidade de sofrer burnout e 43% menos probabilidade de procurar outro emprego.
Empregadores capazes de fazer seus funcionários sentirem-se conectados à missão da empresa e uns aos outros se destacarão dos concorrentes e reterão talentos por mais tempo.
4. Manter a agilidade
Embora o cenário atual de contratações pareça estável, a história mostra que ele é altamente suscetível a condições econômicas, avanços tecnológicos e mudanças culturais.
A capacidade de permanecer ágil e ajustar estratégias de acordo com indicadores econômicos e métricas internas nunca foi tão importante.
Além disso, líderes que implementam e testam proativamente automação e IA terão vantagem competitiva, já que essas tecnologias estão impactando fortemente diversos setores.
Aqueles que resistem à mudança correm o risco de ficar para trás.
A atual calmaria na disputa por talentos não vai durar muito.
Com a chegada do ciclo de crescimento de 2025, os CEOs precisam se preparar para um cenário de contratações e retenção muito mais desafiador.
As lições aprendidas com a “Grande Atualização” servirão para preparar as organizações para a próxima onda — ou serão esquecidas, deixando as empresas novamente vulneráveis a altas taxas de demissão e queda na retenção, prejudicando seu desempenho.
Aquelas que mantiverem o foco na retenção e priorizarem seus colaboradores estarão mais bem preparadas quando o mercado de trabalho voltar a ganhar força.
Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/4-lessons-ceos-should-remember-from-great-resignation-vistage-yuogc/?trackingId=4hgDuIhpSA6KtY%2FkMCZmKQ%3D%3D