Calculando...

Você é forte. Mas… com quem você pode ser fraco?

Vivemos tempos em que a imagem do líder é associada ao controle.
Ao domínio.
À resistência inabalável diante da pressão.

Mas me diga com sinceridade:
Em que ambiente você se sente realmente seguro?
Para quem você pode contar suas fraquezas — sem que isso se torne um peso ou uma ameaça?
Ou será que você, como tantos outros líderes que já conheci, só mostra suas fraquezas quando não há mais como esconder?

Essa é uma pergunta que tenho feito (e recebido) há anos.
E, geralmente, ela desarma até os mais experientes.

A armadura da liderança
A armadura que a liderança impõe não é leve.
Ela é feita de expectativas externas e internas:
— dos seus funcionários, que veem em você o exemplo;
— da sua família, que espera segurança;
— dos sócios, que querem resultado;
— e de você mesmo, que não aceita falhar.

Mas ninguém sustenta uma armadura por tempo indeterminado sem sangrar por dentro.

Como já disse Epicteto, o filósofo estoico:

“O que está sob nosso controle? Nossas escolhas, nossas ações. O restante está fora.”

E fingir que temos controle de tudo é uma das maiores ilusões da liderança moderna.

A cultura do “você dá conta”
Ao longo da minha jornada — da Aprimorha até a Vistage — escutei centenas de líderes dizerem “tá tudo certo”, com um sorriso ensaiado e um olhar exausto.

Esse “tudo certo” esconde ansiedade, medo de se mostrar insuficiente, insegurança diante de novas gerações e até a culpa por não saber o que fazer em alguns momentos.

Não à toa, um dos conceitos centrais que desenvolvi e uso nas mentorias de decisão é o da geografia da vida — o G do método MFG.

É olhar onde você está emocionalmente, mentalmente, espiritualmente.
É reconhecer o lugar interno antes de decidir o movimento externo.

Porque nenhuma decisão sólida nasce do caos mal endereçado.

O poder de se permitir
Você pode ser forte e vulnerável ao mesmo tempo.
Aliás, só os fortes têm coragem de se mostrar inteiros.

Viktor Frankl, psiquiatra austríaco e sobrevivente de campos de concentração, dizia:

“Entre o estímulo e a resposta, existe um espaço. Nesse espaço está o nosso poder de escolher nossa resposta.”

Na Vistage, esse espaço é respeitado.
É protegido.
É onde CEOs e empresários, ao redor de uma mesa, deixam de competir e passam a colaborar.
Ali, um olha no olho do outro e pergunta: “Como você realmente está?”
E, nessa pergunta, há uma permissão rara: a de ser humano antes de ser CNPJ.

Um convite à coragem
Você que é CEO, fundador, executivo, empresário…
Já pensou quantas decisões você tomou sozinho nos últimos anos?
Quantas vezes engoliu o medo, só pra manter a pose de comandante?

Liderar sozinho é perigoso.
Não pela capacidade — mas pela ausência de contraponto.
De reflexão.
De sabedoria coletiva.

Por isso, deixo aqui uma provocação final:

Com quem você pode ser fraco, sem perder o respeito?
Quem é a sua rede de apoio estratégica?

Se você ainda não tem, talvez esteja na hora de buscar.
E se você já tem, preserve com carinho.

Porque no fim das contas, como dizia Sêneca:

“Nenhum vento é favorável para quem não sabe a que porto se dirige.”

Mas… nenhum capitão chega ao porto sozinho.

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